Óleo: amigo ou vilão?

Por muitos anos na cosmética aqui do ocidente, o óleo foi condenado como inimigo da pele. Nos cabelos então, nem pensar! O mais próximo que chegávamos de gotinhas de brilho eram os séruns de silicone, lembram-se? Pele ou cabelos oleosos eram um big no-no e, claro, óleo como ingrediente de produto de cuidado ou tratamento era, praticamente, um absurdo.

A coisa foi tão assustadora que chegou-se à máxima de tornar sinônimo de pele oleosa aquele aspecto radiante de uma pele jovem e saudável (produzido graças aos óleos naturais da própria pele que existem, justamente, para manter a hidratação). Foi então que o mercado lançou uma enxurrada de produtos sem óleo e/ou para combater a oleosidade e maquiagens de efeito mate. Acabou-se todo o brilho, inclusive o saudável.

Pausa aqui, porque sentindo falta desse brilho, já bem mais tarde, passaram a lançar uma enxurrada de iluminadores. Ou seja: primeiro você tira todo o aspecto radiante natural da sua pele, cobre tudo isso com maquiagens opacas de efeito mate, e finalmente você cria o brilho artificial.

Então perceberam (consumidores e marcas)  que todo este universo de produtos antioleosidade estava ressecando as peles. E reintroduziram os óleos. Já notaram como hoje há óleo para tudo? Os vidrinhos minúsculos de silicone para os cabelos foram substituídos pelos frascos e vidros grandes de óleo e nem é só mais para o cabelo. São gotinhas de óleo para o rosto, óleo de toque seco que mesmo a pele oleosa pode usar, óleo de múltiplo uso, óleo rejuvenescedor com vitamina C, sabonete líquido em óleo, hidratante labial em óleo… A verdade é que o óleo não é vilão, é seu amigo.

Blog Valeu a Compra - óleo vilão ou amigo?

Os sabonetes para o rosto, antes “sem óleo” e feitos para remover e prevenir a oleosidade (gente, e a hidratação?) hoje são “espumas suaves que mantêm a hidratação natural”. O strobing, que já falei aqui no blog e que todo mundo andou falando mas que não é nada novo, é só uma gambiarra (isso mesmo) pra devolver o brilho à pele que foi tirado com todo o arsenal de produtos sem óleo e maquiagem de efeito mate que foi jogado no mercado.

Gosto muito da maquiagem coreana porque, na Coreia do Sul, favorecer o aspecto radiante da pele não é uma novidade, é algo antigo e tão importante às coreanas que lá, há tempos, já existem hidratantes e primers e BB creams, bases cushion, pó e todo tipo de produto que você imaginar que garanta um pouco de glow ao rosto. Glow que, muitas vezes, só se consegue com um bom hidratante (leia-se: com óleo vegetal em sua composição) ou com o próprio óleo. E para remover o excesso de oleosidade das peles mais propensas e dos dias de calor as asiáticas usam folhinhas absorventes que tiram o excesso superficial e não a hidratação natural produzida pela pele.

Eu nunca caí nesta falácia do óleo vilão porque minha pele é um caso muito complicado. Tenho psoríase, como sabem, e a pele do meu rosto é mista mas por causa da psoríase as partes secas ficam extremamente ressecadas e a parte oleosa é super sensível e problemática, reagindo (normalmente mal) à maioria dos produtos. E óleo sempre foi meu amigo, mesmo tendo a pele mista (e, sim, aplico óleo mesmo nas partes já oleosas).

Óleos minerais x vegetais

Apenas um cuidado é importante: existem os óleos minerais, derivados do petróleo, e os vegetais. Numa explicação muito simples (e acho que basta para o propósito do post), o óleo mineral é perfeito em criar uma barreira que protege pele e cabelos de agentes externos e que garante, assim, a hidratação. O problema é que ele apenas cria essa barreira, ele não é absorvido pela pele ou pelos cabelos, e ele mantém a hidratação se ela já existe. Há quem diga que o uso prolongado de óleos minerais pode causar o ressecamento da pele e do cabelo já que a gente vai removendo a hidratação natural com o uso de detergentes presentes nos sabonetes e xampus e não repõe isso, já que este óleo não é absorvido. O óleo vegetal, este sim promove, gera uma hidratação, ajuda a aumentar a hidratação natural, e é absorvido pela pele e cabelos. Os óleos vegetais, no entanto, tem um custo maior de produção, o que se reflete no produto final, e o que faz muitas marcas recorrerem ao óleo mineral em seus produtos.

Para os cabelos: silicone x óleo

Os silicones garantem um brilho imediato aos fios e também criam uma barreira de proteção como os óleos minerais. Mas não garantem hidratação. Neste aspecto, os óleos vegetais são uma melhor pedida. Os silicones também possuem uma proteção inerente aos raios ultravioletas, mas se quiser garantir uma proteção transparente (conhecendo o exato FPS oferecido) e que abranja todos as frequências nocivas, é melhor recorrer a um produto específico para este fim.

Aplicações

O óleo tem apenas uma finalidade: promover a hidratação. Prefira os vegetais, já que os minerais apenas criam uma barreira de proteção e não hidratam. Os novos óleos chamados de “toque seco” são mais levinhos, menos encorpados do que os conhecidos óleos de banho, e ao espalhar na pele são rapidamente absorvidos, deixando um glow sem aspecto oleoso. Alguns deles são de múltiplo, ou seja, podem ser aplicados no corpo, rosto e cabelos.

Meus favoritos? O Huile Prodigieuse, da francesa Nuxe, para rosto e corpo (no rosto, uso umas 3 gotas pela manhã e à noite. Coloco na palma da mão, esfrego uma mão na outra para uma leve aquecida e aplico. Também misturo com a base ou o BB cream durante a maquiagem. Ele pode ser usado nos cabelos, mas não gosto muito). O óleo da Nuxe é vegetal, livre de silicone, conservantes e óleo mineral, e composto de 97,8% de ingredientes naturais. Já uso faz um tempo, mesmo antes da Nuxe chegar no Brasil, eu importava antes. Pra quem quiser experimentar, na Sephora tem miniatura por 24 reais. Para os cabelos, fico com o clássico óleo de argan da Moroccanoil.

E, claro, acho que nem preciso dizer que fujo de tudo que é acabamento mate na maquiagem. Essa história de batom fosco, base sequinha, nada disso funciona comigo.

E você? Usa óleo? Não usa? Adora? Abomina? Deixe seu comentário!

Beijinhos,
Van

Este post não é um publieditorial.

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3 comentários sobre “Óleo: amigo ou vilão?

  1. Camila Faria disse:

    Eu estou começando a explorar o mundo dos óleos, mas tenho MUITO a aprender ainda. Ando implicando com a quantidade de produtos matificantes para a pele ~ acho que pele opaca não combina com verão e gosto de maquiagem com um aspecto mais saudável, mais “vivo”. Tenho usado um BB Cream da Stila (Stay All Day) que tem justamente essa proposta de deixar a pele iluminada e bonita ~ tenho gostado muito. Recomendo!

    Curtido por 1 pessoa

  2. vaitercha disse:

    Adoreeei esse post! óleos realmente são produtos que confundem muito. A gente escuta muita coisa sobre eles e muitas delas são controversas. Mas o certo mesmo é testar e ver o que é bom realmente pra gente ou não. No meu caso, pele ok, cabelo raramente. rsrsrs
    Beijos!!!!

    Curtido por 1 pessoa

  3. Letícia disse:

    Van, adorei tudo o que disse!
    Esse meio publicitário é tremendooo!!! Quero dizer, hora dizem que óleo é ruim e te fazem comprar toneladas de produtos para “tirar a oleosidade”. Depois, dizem que óleo e bom e novamente te fazem comprar toneladas de produtos :~ no fim, eu sempre usei óleo para os fios, mas para o rosto, só hidratantes, por que “considerava meu rosto oleoso demais”.. Tsc tsc.
    Curti esse óleo da “Nuxe”, vou dar uma olhada na Sephora.
    Beijo!

    Curtido por 1 pessoa

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